Soldados da Tropa de Choque da Polícia Militar tentam garantir a
transferência de presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ciauá,
na região de Presidente Prudente. Cerca de 300 agentes se posicionaram
na frente do presídio, mas foram empurrados pela Troca de Choque, que
cortou cadeados e correntes e conseguiu entrar no presídio.
Vinte viaturas com dezenas de presos das cadeias e delegacias da
região, esperam que os PMs da Tropa de Choque consigam abrir as portas
que dão para a entrada ao pátio das celas para deixar os presos. As
portas foram trancadas por cerca de 20 agentes que estão dentro do
presídio, mas os grevistas ameaçam abandonar os postos, sair do presídio
e deixa a unidade inteira - que está com cerca de 1.500 detentos - sob
responsabilidade da PM.
"Se a PM conseguir entrar, os agentes receberam orientações para
entregar as chaves e deixá-los tomando conta do presídio", contou Luiz
Silva Filho, diretor do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional
do Estado de São Paulo (Sifuspesp). Segundo ele, delegados chegaram
acompanhados de oficiais de Justiça para dar ordens de prisão a agentes
grevistas.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta
quinta-feira, 20, que espera que o bom senso prevaleça ao tratar da
greve dos agentes penitenciários no Estado. "Há uma decisão da Justiça
que diz R$ 100 mil de multa por dia por unidade penitenciária se não
garantir a transferência de presos para internar no sistema ou a visita e
atendimento aos presos. Então é decisão judicial. Espero que o bom
senso prevaleça e a gente resolva rapidamente", afirmou Alckmin.
Campinas e São Paulo.
A Força Tática da Polícia
Militar retirou à força o grupo de aproximadamente 25 agentes
penitenciários, em greve, que bloqueavam a entrada do complexo
penitenciário Campinas/Hortolândia.
A medida foi tomada para permitir a
entrada de um comboio com 58 presos transferidos de uma cadeia de
Campinas, que eram acompanhados pela Polícia Civil
Em São Paulo, na zona leste, a Tropa de Choque também foi acionada
para garantir que policiais civis entrassem com cerca de 100 presos no
Centro de Detenção Provisória Chácara Belém. Agentes penitenciários
tentaram impedir a chegada dos presos, mas segundo a Polícia Militar, os
detentos foram recebidos.
Também foram registrados tumultos em Capela do Alto, em São José do
Rio Preto, e Mogi das Cruzes. No CDP de São José do Rio Preto, cerca de
70 agentes fizeram um cordão humano para impedir que viaturas da Polícia
Civil e da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) deixassem
cerca de 50 presos da cadeia pública de Penápolis e de carceragens de
outras cidades do interior. As viaturas ficaram do lado de fora, sob
escolta da PM, que reforçou o policiamento no entorno do presídio.
Depois de quase uma hora de conversa com os agentes, a polícia deixou o
local retornando com as viaturas para seus locais de origem.
Determinação.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo,
Fernando Grella Vieira, disse na manhã desta quinta-feira, 20, que,
enquanto durar a greve dos agentes penitenciários, a polícia vai
realizar a transferência de presos das carceragens das delegacias para
presídios administrados pela Secretaria de Administração Penitenciária
(SAP). Segundo ele, as oito delegacias de trânsito da capital têm 276
vagas e chegaram a abrigar 756 pessoas.
"Já estamos equacionando isso: em conjunto com a SAP montamos um
esquema que vai permitir a inclusão de parte desses presos, que são
condenados e foram recapturados, e a parte que ainda são presos
processuais, que respondem a processos. Ontem mesmo tivemos uma reunião
conjunta (Polícia Civil, Polícia Militar e SAP). Algumas medidas já
estão sendo implementadas a partir de hoje, e elas tendem a reverter
esse quadro nos próximos dias.
Mas está sobre controle", afirmou Grella,
após participar do seminário "Diálogos de Segurança Cidadã", promovido
pelo Instituto Igarapé, na zona sul do Rio de Janeiro.
fonte:
Estadão